Eu não sou um vegetaL

demim_pramim mim_pramim_de pramim_demim mim_depra_mim

quinta-feira, 31 de março de 2005

- Ritinha, ocê foi marvelosa ontem!
- Ai omi, mas tava bom dimais!
- Ritinha...
- ...
- Ocê faz hoje de novo pra mim, faiz?
- Vixi omi... só faço se ocê fizé também.
- Mais então eu faço.
- Afe! Omi mais cabra!

De noite:

- E então Ritinha, você faz?
- Afe.

E pegou o marido no colo e lhe fez cafuné. Ninava que era um gostoso!
O marido abraçado a ela. Olhava pros seus olhinhos com carinho. Mandava beijinho.

E a noite nunca foi tão quente.

quarta-feira, 30 de março de 2005

INCONSTÂNCIA

Uma hora calma, tranqüila, alegre, confiante, lá lá lá, sorridente, viajante.
Uma hora inconstante, vai pra lá pra cá, levanta-senta, pára-anda, balança o corpo sentada de cócoras.
Uma hora deprimente, pensamento morbidez, larga tudo, olha o nada, sentada parada não mexe nem pisca. Nada.
Uma hora honesta, responsável, estudiosa, aprecia, apreende, cresce, aprende, orgulha-se de si, compenetrada.
Uma hora enlouquece, chora, rasga, grita (por dentro), arranha, chuta, blasfema, xinga, exausta.
Uma hora cada.
Uma hora cada um.
Uma hora cada uma.
Uma hora cada zoom.
Uma hora como uma.
Umas horas como uns.
Alguma hora como sua.

Apenas horas comuns.

Ah, se o meu travesseiro calasse a boca! Mas nele estão desenhados luas e estrelas num céu azul, azul, e o desinfeliz que os desenhou fez questão de colocar-lhes bocas. Ah, se eu pudesse lhes fazer calar!

Minhas noites agora já não são mais de paz, pois toda vez que deito a cabeça no meu travesseiro ele fala, fala, fala e fala sem parar! Me conta de como vai ser amanhã, o que eu vou fazer, o que provavelmente vai acontecer, o que eu não posso esquecer!

Outra hora me lembra de coisa que já passou, daquilo que eu fiz, do que eu não fiz, de quem eu conheci e de coisa que se foi. Como fala esse meu travesseiro!

Eu que antes de deitar já me sentia com sono, agora não consigo parar quieta, virando e revirando para os lados da cama tapando os ouvidos com as mãos. Céus, como fala esse meu travesseiro!

Até que uma hora (altas horas), talvez cansado de falar, talvez já sem conteúdo, ele resolve por Zeus ficar-se quieto. Vai se calando, calando, falando cada vez mais baixo, até que, finalmente, não mais já posso ouvi-lo e téquenfim dormir em paz.

E agora, o que faço eu com essa desgraça de travesseiro com hábitos noturnos?

domingo, 27 de março de 2005

Ansiedade misturada (ou confundida) com sentimentos é uma bosta!
A gente tenta, nesta vida, evitar certas situações, ou certos momentos ou certos sentimentos que a gente sabe que podem vir a ser um problema, ou pelo menos gerar uma irritante dor de cabeça.
Nós evitamos.
Aí vem o mundo e nos diz que é preciso arriscar, que é melhor "amar e perder do que nunca ter amado", que nós devemos ouvir a voz do coração, dar uma chance ao momento, arriscar-se. E você, enebriado por estas palavras veementes de pessoas que exibem uma vida ma-ra-vi-lho-sa, esplêndida, cheia de realizações, tentativas bem sucedidas, de arrependimentos quase nulos, resolve se "lançar ao mar", acredita realmente que não há mal em ver pra crer e paga pra ver.
É aí que você se fode.
Porque a vida meu amigo - ao menos a tua - não é assim. Na tua vida, você não pode se dar ao luxo de arriscar - ou melhor, não pode se dar ao luxo de acreditar e ter esperanças de que sua tentativa patética dará certo. É aí, bem aí, que você se fode.
Você vai dar de cara com o chão, vai ter arriscado sua integridade, seu modo de pensar, seu orgulho, suas crenças e vivências e experiências em algo que já sabia que não era pro teu bico.
Encare: você não nasceu pra ser assim, pra se entregar às suas emoções, pra se deixar levar pelo momento. Você é um ser racional oras bolas, não tente fingir que é emotivo. Isto não dará certo.
E aí você fica assim, sentado no teu canto, roendo suas unhas e passando seu tempo perdido pensando no que vai resultar suas tentativas, seu modo "moderno" de agir e pensar. Vai passar noites mal dormidas tentando adivinhar o que terá de consequência, se agiu certo ou errado, se consegiu ser assertivo.

Entenda meu amigo: você não precisa passar por isto duas vezes. Uma vez só já é bom pra você ver que não é pra você. Não insista. Continue sendo defensivo, desconfiado, duro como uma rocha! Não se entregue. Jamais! Principalmente ao amor. Se é que isto existe ou já existiu.

Não se engane: você nunca amou ninguém.

segunda-feira, 21 de março de 2005

- Os seus olhos não eram azuis?
- Eram vó. Eles mudaram de cor
- Estão verdes
- Pois é. Estão verdes
...
- Você não é a Juliana
- Sou eu sim vó, são só meus olhos que mudaram de cor

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- A minha vó disse hoje de novo que eu não era a Juliana. Disse algo sobre meus olhos, que não eram mais os mesmos.
- E o que você disse?
- Bem, eu disse que eles realmente mudaram de cor
- Putz, não acredito, você mentiu de novo?
- É
- Quando você vai resolver contar a verdade?
- De que eu não sou mesmo a Juliana?
- É, pode ser esta primeiro.
- Não sei. Talvez quando eu puder explicar o que eu fiz com a outra.
- Há-há-há, então comece a refletir desde já. Mas resolva logo, porque cê sabe...os seus olhos já estão te denunciando.

sábado, 19 de março de 2005

Cansei de ser profunda.
Fui profunda minha vida inteira, agora cansei.
Não quero pensar nas resoluções, nos problemas, nos passos.
Quero me atirar de cabeça, quero não pensar, quero arriscar cair ou sair voando. Tudo menos pensar no salto.
Eu só quero viver a minha vida, sem a minha segunda (ou seria a primeira?) personalidade se intrometendo e palpitando no que eu faço.
Quero ter um pensamento único, quero deixar de ser dividida, quero, se for preciso, matar minha outra parte. A que até então falou mais alto.
Quero deixar a desvairada – a non sense – tomar o controle, assumir o comando, aplicar um golpe de estado no atual governo.
Vai minha desvairada, quebre a perna, quebre a cara – viva um pouco.
- Bring me to life -

domingo, 6 de março de 2005

Explicações iniciais


Ótimo, começo meu próprio blog me explicando - como se eu devesse explicações.
Mas enfim, os inícios geralmente são enganosos.


1 - O porquê do nome
o Radiohead tem uma música de nome "Vegetable". Ouça. Ou melhor, leia. Ou, se entender inglês, realmente apenas ouça.
entre outras coisas diz: "I'm not a vegetable".
e eu, enquanto Juliana, notei que eu não sou um vegetal, logo não devo agir como um. Tentarei não ser um vegetal.

2 - O porquê do blog
já tentei um blog uma vez e não deu certo - como muitas pessoas.
também como muitas pessoas, resolvi me dar mais uma chance e tentar mais uma vez.

nova configuração, novo jeito de escrever as palavras, novo modo de ver a vida.
novos posts junto com velhas lembranças, textos antigos escritos por mim.
há um tempo tenho sentido necessidade de passar meus textos pro computador. porquê eu não sei, acho que é uma forma de tentar organiza-los fora da papelada. sempre quis. também para ve-los publicados em algum lugar. é, admito que tenho uma certa vaidade - leão.

terapia também conta.
falar sobre traumas ajuda a repensa-los - isto foi tema de tese!

não que vou dedicar meu tempo e espaço falando dos traumas que por ventura eu venha a ter - também não digo que não o faça.
mas ter um lugar onde eu possa jogar meus sentimentos e talvez quem sabe compartilha-los e talvez quem sabe receber outros pontos de vista. quem sabe.
quem sabe primeiro, se vou falar pra alguém sobre este site? quem sabe?