Ah, se o meu travesseiro calasse a boca! Mas nele estão desenhados luas e estrelas num céu azul, azul, e o desinfeliz que os desenhou fez questão de colocar-lhes bocas. Ah, se eu pudesse lhes fazer calar!
Minhas noites agora já não são mais de paz, pois toda vez que deito a cabeça no meu travesseiro ele fala, fala, fala e fala sem parar! Me conta de como vai ser amanhã, o que eu vou fazer, o que provavelmente vai acontecer, o que eu não posso esquecer!
Outra hora me lembra de coisa que já passou, daquilo que eu fiz, do que eu não fiz, de quem eu conheci e de coisa que se foi. Como fala esse meu travesseiro!
Eu que antes de deitar já me sentia com sono, agora não consigo parar quieta, virando e revirando para os lados da cama tapando os ouvidos com as mãos. Céus, como fala esse meu travesseiro!
Até que uma hora (altas horas), talvez cansado de falar, talvez já sem conteúdo, ele resolve por Zeus ficar-se quieto. Vai se calando, calando, falando cada vez mais baixo, até que, finalmente, não mais já posso ouvi-lo e téquenfim dormir em paz.
E agora, o que faço eu com essa desgraça de travesseiro com hábitos noturnos?

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