“Bem-te-vi”, o passarinho falou.
“Bem-te-vi, bem-te-vi” gritava ele da árvore.
Bem me viste, bem-te-vi?
Pois veja bem meu cantorzinho, veja bem e verás que não me vês.
Pois se me visse, bem-te-vi, seu canto não cantaria; seu biquinho não sopraria o real que aflora em mim.
Pois sabes, bem-te-vi, se bem me mostro a ti, feia e triste me sinto a mi.
Mais real seria, passarinho, se quando passasse por debaixo de teu ninho, falasse mexendo o ombrinho:
- “Nem-te-vi, nem-te-vi”.

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