Ás vezes eu me desespero.
Arranco os meus cabelos, mas aos tufos, preocupando-me em arrancar mais de vinte fios por vez.
Pego a pinça e arranco as sobrancelhas. Todos os pêlos, até a pele. Com a pinça, belisco partes das pálpebras e aperto as garras fortemente até sair sangue, até arrancar pedaço.
Os cílios não arranco, corto com a tesourinha... tudo bem irregular, para figurar este meu rosto desfigurado.
Minha boca sangrando – mordo meus lábios, arranco a pele com os dentes e depois a mastigo. Mordo com força, corto a minha língua, minhas gengivas incham pela força das mordidas.
No nariz, enfio agulhas. Espeto-as de um lado e as atravesso até o outro. Agulhas grossas, alfinetes, percevejos... cada um espeto em um lugar. Ás vezes coloco até uns percevejos nas bochechas, mas geralmente prefiro esfregar uma pedra bem porosa até ficar com a cara toda esfolada.
Aí coloco a pedra no lugar, arranco mais alguns fiozinhos de cabelo.
Vou pra frente do espelho.
Olho pra minha cara e começo a rir. Que figurinha mais bizarra! Ai, ai, só você mesmo pra me fazer sentir melhor.
Mas esta vida não é mesmo uma comédia?

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home