Eu não sou um vegetaL

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sexta-feira, 29 de abril de 2005

uma conversa

Como é que pode, né?
As pessoas costumam rotular uma coisa como bela. Mas nada nem ninguém é constantemente belo.
A beleza é uma coisa tão subjetiva... Às vezes eu me acho linda, romântica, angelical, charmosa, sedutora... outras vezes eu me acho um bagaço, um lixo, um nojo, algo claramente desprezível.
E a beleza exterior (que é sazonal, inconstante) também abala a beleza interior. E talvez vice-versa. Quando estou bonita, me olho no espelho e me sinto bem, mais altiva, mais alegre, mais simpática, mais comunicativa. Mais interessante por dentro e por fora. Já quando estou feia e me olho no espelho, instantaneamente sinto meu ânimo cair. Fico mal-humorada, com preguiça, sem vontade de conversar com quem quer que seja e antipática. Fico um saco! Que coisa, não? Porque nós, que estamos por dentro e nos conhecemos diariamente, conseguimos notar estas pequenas mudanças no exterior, que nos tornam mais feios ou mais bonitos. No entanto, quem está de fora tem apenas uma imagem geral de nós. Este conceito, que é formado nos primeiros contatos, conversas e olhadas, não é modificado. A pessoa pode perceber que você hoje está um pouco diferente, talvez mais apagada, talvez menos atraente, mas isto não o fará julgar que você é feia. Não, o conceito dele já está formado, você está apenas diferente. Assim também ocorre se a pessoa não te acha uma Giseli Bindichen e, no entanto hoje repara que você está mais bonita. Ela (a pessoa) pode até ser um pouco mais cordial com você, mas é uma situação momentânea, pois pra ela, para o conceito já formado sobre sua pessoa, você está bonita, mas não o é constantemente.
Então, por que deixamos nos levar, nos contagiar por dentro por causa de uma situação momentânea na aparência que não fará grandes revoluções no mundo que nos cerca, muito menos causará grandes mudanças no seu conceito com as outras pessoas com as quais convive? Em suma, a sua aparência hoje não fará com que pessoas saiam correndo horrorizadas ou que uma legião de fãs ajoelhe-se aos seus pés; nem fará com que seus amigos e conhecidos te destratem ou te rodeiem – e caso isto aconteça, é mais um reflexo do seu interior leviano do que da sua aparência complexada.
Então, vamos tentar não nos deixar levar pelo que o espelho nos mostra hoje, mas sim pelo que nosso interior- coração e mente - nos mostra todos os dias, sem termos sequer que abrir os olhos. Só assim vamos entrar em paz conosco mesmos e conseguir transmitir o mais puro de nós.