Eu não sou um vegetaL

demim_pramim mim_pramim_de pramim_demim mim_depra_mim

segunda-feira, 20 de junho de 2005

fui perseguida hoje na avenida; ao contrário do que eu esperava, acabou saindo um post igualitário. Desta vez passa...

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Estou agora tomando um vinho tinto. Um vinho por mim escolhido, degustado em uma taça por mim comprada e tão minuciosamente escolhida – tinha que ser, além de adequada, bonita. Uma taça simples, porém delicada e bem elaborada para poder acomodar o bom vinho por mim escolhido.

A beleza da taça, a ebriedade do vinho. Ambos se misturam, yin e yang, ambos se completam. Algum idiota diria: o feminino e o masculino; o feminino da taça, o masculino do vinho. Acabando com este ar nevoento da descrição instigadamente sensual do beber do vinho, digo: foda-se! Foda-se você que assente a analogia homem/vinho, mulher/beleza; homem/poder, mulher/delicadeza; homem/embriaguez, mulher/sentada à mesa.

Foda-se você que acha que uma coisa está interligada à outra. Foda-se você que não vê nada de mais em associar estas instâncias. Foda-se você que está incomodada com meus foda-se. Foda-se você que pensa que eu estou escrevendo para uma mulher. Foda-se você que pensa que quem está escrevendo é uma mulher. E foda-se mais ainda você que pensa que eu estou escrevendo para e como um homem.

Não sou destas feministas que querem só bordoar os homens e pregar a superioridade da mulher. Eu quero é poder ter crédito por saber escolher e apreciar um bom vinho, e não ter a imagem de “mariquice” poder comprar pacientemente a minha taça. Eu quero só tomar em paz o meu vinho.

Eu quero mostrar que Ele não sabe escolher e que Ela não sabe comprar. Eu quero incensuradamente que Ele possa admitir que se diverte e se preocupa com o comprar, e que Ela se atém ao escolher.

Eu quero quebrar com a imagem de cristal da taça e refinar o dito sabor rude do vinho. Eu quero a suavidade do sabor, quero o duro do vidro. O vinho sentido casa vez mais doce; a taça catada cada vez mais brusca. Yin e Yang. Taça e vinho. Nada de homem e mulher.
- porque tudo que é volátil é transcendental.