Eu não sou um vegetaL

demim_pramim mim_pramim_de pramim_demim mim_depra_mim

sexta-feira, 29 de julho de 2005

"Tio, uma moeda?"

Uma velha constatação e freqüente motivo de inconformação minha é o fato de não haver (ou haver poucas) crianças em Bauru.
Se as vi, só vi de "relance", "de passagem", "sem querer"...
As únicas crianças que vejo freqüentemente são as netas (sim, todas meninas) de uma senhora lavadeira do meu bairro - supreendentemente, ela parece ser a vó de todas as crianças de lá!
São Paulo... sempre lembrei de São Paulo com todas as suas criancinhas freqüentes, seja em shoppings, seja no meu prédio, seja empinando pipa nas ruas... seja nas padarias...
ou no farol, como um miquinho, fazendo malabares...
ou cheirando cola na praça de Santana...
ou dormindo em cima de um papelão numa calçada...
ou vendendo bala no metrô...
"Tia, uma moeda?" - devia ter uns oito anos. Estava com a irmã, toda sujinha também, que estava quietinha, sentada, esperando num outro banco.
Estava parado na minha frente, o olhar de quem já está acostumado a mendigar, de quem já sabe que (mesmo não havendo um motivo) nunca deve fazer cara de feliz.
Me estendendo a mãozinha: "tia, uma moeda?"
Já tinha passado de banco em banco, ligeiramente, sempre com a mesma pergunta. Um olhava: "não tenho", outro: "hoje não". Alguns balançavam a cabeça.
Teve um senhor que, perante a pergunta, sequer olhou pro garoto - estava lendo jornal. A criança, como toda criança, inconformada, perguntou de novo, e diante da mesma indiferença do senhor, o cutucou:
- "Tio, uma moeda?"
Olhou pra ele como quem olha pra um lixo, sacudiu - como que arrumando - o jornal e resmungou balançando a cabeça: "não tenho, não". ... que absurdo essas crianças que vêm pedir dinheiro. por que não vão trabalhar? nesta idade já dá! Mas não, é muito mais cômodo ficar importuando os outros, trabalhadores, no metrô...
E ainda tem a audácia de me cutucar(!), de exigir que eu o olhe (!!), de me incomodar no meio do jornal(!!!). É um abuso! malditas crianças.. e outra, aposto que deve ser um delinquentezinho.
Se desatentar da minha carteira não há dúvida de que ela some. pequeno larápio. onde estão os guardas nessa hora? francamante, este metrô precisa de um maior policiamento urgente! enquanto isso, nós cidadãos temos que passar por esse... vexame.
- "Tia, uma moeda?"
Olhei nos seus olhos. Passa tanta coisa em questão de segundos. Como a gente é fraco; como a gente é leviano; como a gente é impotente e submisso. como a gente tem discurso bonito de querer mudar e pregar a mudança e no dia-a-dia se misturar na massa... se homogeneizar. entrar na onda. ceder. não importa se com consciência ou não.
Não importa se leve ou mais pesada - um balançar de cabeça é sempre um balançar de cabeça:
- "Desculpa, não tenho".
Que vergonha. Que mentira mais idiota. E que idiota dizer uma coisa que é óbvio que é mentira. Impossível não se ter uma moeda - não impossível, mas muito raro. O garoto mesmo carregava um punhado delas, que exibia pra irmã...
"Não tenho".
Uma frase que pra mim saiu tão vergonhosa, que do senhor soou tão nojenta, que de muitos outros saiu tão automática, e que pro garoto, não importa qual foi a entonação, não pareceu fazer efeito nenhum. Nem um sinal: nem tristeza, nem desolamento, nem cansaço, nem raiva, nada. nada.
E continuou o "tio, uma moeda?" num outro vagão. a irmã foi atrás. Talvez eperando a hora de revezar. E o metrô seguiu, levando os cidadãos pras casas, onde encontram abrigo, um refúgio para o frio de São Paulo. Lar doce lar.
- enquanto o menino e a garota, provavelmente estarão voltando para o seu papelão.
Bauru não tem crianças.
São Paulo tem uma infinidade de crianças tristes (que passam os dias a mendigar moedas).

domingo, 24 de julho de 2005

Meu aniversário. 21 anos. pois bem.
Já passou, né, foi ontem.
Fui num barzinho de jazz comemorar - banda muito boa.

Dessa vez sem exageros, sem dramas, sem grandes questionamentos, encucações, planos, ou... previsões, aspirações, eticétera, eticétera, eticétera (nossa, expermimenta escrever eticétera, é super difícil!)

Enfim,
quando estava no carro, a caminho do bar, tocou na rádio duas músicas seguidas: The Reason (Hoobastank) e Eu Quero Sempre Mais (Ira+Pitty). Duas músicas que eu gosto muito.
Engraçado que a do Ira nem era eu que gostava, mas a Cecília. Nunca suportei Ira nem gostava de Pitty; música dos dois juntos então, piorou. Mas a Cecília falava tanto dessa música que marcou. Aí, quando ouvia prestava atenção e ela começou a fazer sentido. Hoje tem sentido pessoal.
Hoobastank.
A primeira vez que ouvi na rádio apaixonei. Faz tempo. Ouvi e pensei: "meu deus, que música é essa? é demais!" rs... gamei.
Amores à primeira vista - básico de meu modo de ser, até com música!

Enfim (II), o ponto é: duas músicas queridas em seguida, uma após a outra. Sem eu esperar - sem eu sequer querer. Isto sim realmente foi um presente.
Muito mais do que perfumes caros e jantares dispendiosos. uma simples música

Duas simples músicas.
assim, de presente, do nada, de surpresa. surpresa.

obrigada (deus?) [lembra do tempo em que agradecia a deus??]. pelo aniversário.
não, na verdade não, não pelo aniversário.
sei lá, obrigada por... estar respirando. este ar que tanto gosto. ás vezes nem tanto, mas gosto. obrigada por viver e por me permitir passar um aniversário mais calmo. mais "21" anos (menos veneza americana, rs...). um niver "desconturbado" - em termos.

enfim. (parte 3)
Obrigada pela complexidade de minha pessoa, rs... e por me deixar sentir ser agradável comigo mesma. e por apesar de todos os obstáculos postos, me fazer entender. me amo ser um criptograma. obrigado por me amo. (sim, assim mesmo, escrito dessa maneira)
e obrigado pela complexidade de minha pessoa (de novo) [que me permite falar estranho, e novo, e fazer-me entender com mais clareza de sentido].

Talvez você morra de inveja: me amo.

Beijos
E feliz aniversário: Jú. (rs...)

quinta-feira, 21 de julho de 2005

B.L.O.G.A.B.A.N.D.O.N.A.D.O

domingo, 3 de julho de 2005

Musiquem isto para mim e me dêem de aniversário (no lugar do Parabéns):

A menina perdida
Procurando se encontrar
Pensou: “hoje eu vou sair
Vou sair pra ver o mar”.

Que vontade nos seus olhos
Que andar mais confiante

A menina perdida
Mais perdida ela ficou
Não sabia mais voltar
Quando o mar não encontrou

Que caminho já sem traço
Que olhar mais desviante

Prostrada menina errante


Hahaha, muito bom, “prostrada” é uma ótima palavra pra se cantar numa melodia...