Eu não sou um vegetaL

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sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Níobe

Níobe era uma rainha – casada com o rei de Tebas – com milhões de pertences: poder, terras, nome, beleza, enfim, tudo o que uma rainha poderia desfrutar.
Tinha também quatorze filhos: sete homens e sete mulheres, e estes sim eram seu maior tesouro.

O orgulho de Níobe por seus filhos era tal que um dia ela desafiou uma deusa, dizendo que sempre seria mais afortunada que ela – que tinha apenas dois filhos – pois, mesmo que perdesse seu trono, suas terras, sua beleza, e até mesmo um filho ou outro, sempre lhe restariam alguns filhos, tornando-a mais rica e feliz que a própria deusa.

A deusa, sentindo-se ultrajada pela provocação daquela mortal que achava-se superior por ter mais filhos que ela, contou sua grande mágoa aos dois filhos, que prometeram vingar-se pela mãe.

Numa tarde em que os sete filhos homens de Níobe estavam no campo treinando armas e estratégias de combate, os filhos da deusa desgostosa voaram sobre o campo atirando culminantes flechas mortais em cada filho.

Assim, um por um, Níobe foi vendo seus filhos sendo dizimados por alguma estranha grandeza que vinha do céu. Logo desconfiou que se tratava de uma vingança da deusa insultada. Com lágrimas nos olhos, sem poder acreditar no que via, corria de filho em filho, abraçando cada um, vendo se ainda restava algum com vida.

Ouvindo os gritos desesperados da mulher, o rei, as filhas e as outras pessoas do palácio correram em direção ao desastre. Ao se deparar com assombrosa cena, o rei não suportou a dor e se matou, caindo desfalecido junto aos filhos.

Quando Níobe pensava que coisa pior não poderia acontecer, viu diante de seus olhos a primeira filha cair morta aos seus pés, da mesma trágica maneira que aconteceu com todos os filhos homens. Desesperada, Níobe ergueu os braços para o céu clamando por piedade, pedindo perdão à deusa por sua arrogância. No entanto seus protestos eram em vão, pois enquanto pedia desesperada para que aquela atrocidade acabasse, suas filhas – que agora encontravam-se correndo desesperadas procurando onde se esconder – iam caindo uma por vez, mortas no chão.

O último ato consciente de Níobe foi agarrar com todas as forças a única filha remanescente, gritando: “por favor, poupe-me esta!”. No entanto, quando abriu os braços, Níobe pôde sentir o corpo da menina deslizando ao chão.

“Desolada, ela sentou-se entre os filhos, filhas e o marido, todos mortos, apática com o sofrimento. A brisa não lhe agitava os cabelos, suas faces estavam inteiramente descoloridas, o olhar fixo e imóvel. Não havia nela sinal de vida. A própria língua prendeu-se ao céu da boca, e as veias cessaram de transportar o fluido vital. O pescoço não se curvou, os braços não fizeram gesto algum, os pés não deram um só passo. Ela se transformara em pedra, por fora e por dentro. As lágrimas, no entanto, continuaram a correr.”

Esta é a história de Níobe, uma rocha existente no alto de uma montanha da Ásia, pelo qual sempre está a escorrer um fino regato de água.

Esta é a história de Níobe, uma mulher que, de tão triste, virou pedra.

terça-feira, 6 de setembro de 2005

As coisas que eu guardo só pra mim

Neste mundo de vida que tenho
- todos temos
Tem tanta coisa
Teve tanta coisa
coisas de mundo.

As coisas que eu guardo só pra mim
Tem coisas
Muito pequeninas coisas
dentro desse mundão que sou eu
Que mais ninguém
E só eu sei

Tem que eu guardo só pra mim
‘pra ficá aqui nesse mundim’
Coisa que só eu sei
Tem coisa que só eu sei
Um segredo do Universo
Que apenas
Eu sei

Como me vale
esse meu
segredo
Coisa que
talvez eu tenha medo
ou mas só apenas
não te queira contar
E nunca jamais poderá me revelar