nossa, eu realmente curto esse poema que eu escrevi há tempos...
Ciclo do sangue do Ciclo
Por dentro eu sangro.
Vou me despedaçando
Desmanchando
Deslizando quente.
Escorro pra fora viscoso.
Dispersão,
Liberdade
Espalho-me por todos os lados,
Manchando, sujando, fluindo.
Paro.
Estagnação?
Não, tempo para repouso,
Descanso, pequena absorção.
Quando tudo parece calmo
Lá vem ele, pegajoso, sólido
Lentamente, bem lento, lento.
Indiferente, vem macio,
Empurrado de cima a baixo
Espremido, indesejado................!
Mas vem sem pressa,
Tendo gosto na aflição das paredes compulsórias,
Apreciando cada momento de dor
E junto dele eu desço.
Eu fluxo.
Forte, violento
Desejoso e prazeirento
Em fazer parte da tortura angustiante..........!......
E enfim desborcamos,
Expelidos com alívio,
Sentidos com desespero!
Já não agüenta mais esta pulsação incessante..!....!.....
A este momento já grita,
Já chora contorcida clamando por ajuda!!.....!........!
Não paro. Não quero.
Em mim ninguém manda
Sou apenas eu e minha insensibilidade.
Aos poucos cedo – ou melhor –
Esgoto-me.
Para ela esperança
Para mim insaciabilidade.
No entanto sabemos – ela e eu –
Que minha avidez será compensada...
Voltarei sim
Hei de voltar.
Até o fim,
Até o esgotamento final...
– seja o meu, seja o dela – !
