Eu não sou um vegetaL

demim_pramim mim_pramim_de pramim_demim mim_depra_mim

quinta-feira, 29 de junho de 2006

TITA

Meu amor,

Não paro um só segundo de pensar em você. Fico imaginando mil maneiras de me burlar para permitir-me rasgar esta idiota distância e correr até seus braços quentes.
Me sufoco à noite - como esta - em que fico imaginando todo o momento que estou perdendo não estando do seu lado, não te devorando de beijos, não te jogando no chão e rolando no tapete como dois loucos insaciáveis, me agarrando a teus cabelos e mordendo teu pescoço.
Que falta me faz não ter você abraçando forte minha cintura, com o nariz nos meus cabelos. Ambos nus deitados na sala vigiando a janela a contar estrelas.
Quero que você agora acenda meu cigarro, me olhando firme nos olhos, trazendo a chama lentamente a se espelhar na minha pupila, onde você continua certo, até o cigarro se acender e eu desafiadoramente soltar a primeira tragada.
Não permita mais que eu tenha que me contentar em ligar bêbada de um bar, a cobrar, do celular de um desconhecido, só pra dizer que te amo.
Seu sádico! Por que não vem me ver?
Seu doentio! Por que não larga tudo e vem viver comigo?
Seu frustrado! Por que não me encara e me pega e me cala? E me arrasta contigo pros lugares mais sujos que eu vou?
Eu te amo, cacete! Vem ficar comigo! Vem ser enlaçado pelas minhas pernas e deixar pra lá o que existe da porta pra fora. Venha logo ser meu...

Saudades, Tita.

- faz parte da carta um cheiro forte de perfume de mulher doce e uma marca rosa de batom ao pé da folha.

Licensa, poética

Arrumou-se como quem espera receber uma surpresa.

Não havia motivo nenhum de estar bela daquele jeito, apenas tinha esse pressentimentozinho de que hoje, especialmente, deveria se arrumar para além do causal.
Também nada extravagante: embelezou-se de modo simples. E saiu.

Andando na rua, sentia no ar, nas passadas, no tom do tempo, que algo estaria por vir. Algo novo, bonito e calmo, como uma criança.

E passou assim o dia, tão solta, a imaginar as possibilidades que se lhe estavam ocorrendo (agora... e agora...) de algo inesquecível e novo lhe acontecer. Dava atenção especial às coisas. Uma atenção serena, sincera, ouvinte, uma atenção de quem espera achar no de novo algo que lhe escape e lhe revele outro.

Sentia com calma, com paciência – com minuciosidade o dia. Olhava no mundo as coisas que se espalhavam entre o tempo e que lhe poderiam revelar o novo para o qual se preparara por.
...
Nada de novo aconteceu. Não houve, inusitado, um repentino ou desapercebido troço. A surpresa nenhuma constatara-se para si no fim do dia. Mas... não passara o dia a toa.
De fato, não passara o dia a toa.
O dia todo a procurar coisinhas... o dia todo a embelezar-se para o nada, para si. O dia todo... a desaperceber-se e a perceber-se. A si.
Trazendo e levando
Buscando e impelindo

No fim do dia, o dia.

Surpresa

quarta-feira, 21 de junho de 2006

É, estou eu aqui mais uma noite... tendo uma trabalho inteiro por fazer que vem sendo arrastado por mais de mês... que saco!

Quer ler um trecho do meu "diário"?

(...)Não sei não. acho que é momento de repensar minha vida (já disse isso). Será que a Psicologia vai mesmo ser usada por mim, com gosto, com jeito, como ferramenta de trabalho? Será que eu me imagino trabalhando com isso, ou para isso?

Me pensei agora que tudo isso pode ser apenas uma súbita preguiça de viver, de mover uma palha, de movimentar o mundo (o meu mundo).

Eu não quero mais, sabe? Acho que não. Não quero mais me esforçar, não quero mais ter que, não quero mais batalhar, não quero mais sofrer, não quero mais correr - atrás de uma coisa que eu não sei se, mas almeijo alcançar.

Não sei (não quero), tô com preguiça de correr atrás de bolsa; tô com preguiça de pensar no que é que eu vou trabalhar. Tô cansada e sem vontade de saber com o que é que eu vou trabalhar, o que vou ter que fazer, como fazer, fazer o que... não quero! Cansei. Cansei de ter que saber e ter que correr. Cansei de me preocupar e de ir atrás e de pensar e me estressar. Eu nada sei.

Eu queria uma coisa mais simples, uma coisa mais "lar", uma coisa mais "sinta-se em casa" e "desencana, não tenta viver todo o mundo". Cansei de ser!

De ser alguém, de ter que ser alguma coisa, de ser alguma coisa pra alguém ( e ter que). Cansei.(...)

É... alguém topa fazer o pré-projeto pra mim? Eu posso ver se consigo pagar...

ps.: detesto falar de fatos concretos por aqui! bem se vê que estou já apelando...

segunda-feira, 19 de junho de 2006

“Hoje eu achei um bicho pra mim criar. Ele é muito legal!”

Contextualizando

Estava tomando banho e me questionando porquê as pessoas têm tanto medo de aranhas e serpentes. A quantidade de patas teria algo a ver? Seria assustador um bicho que não tem patas tanto quanto um bicho que as tem de monte? Será? Não sei.
Terminei meu banho. Saí do box, olhei pra minha blusa de pijama e vi que tinha uma folhinha seca nela. Quando já ia empurrar com a mão, vi uma cabecinha saindo rapidinho da folhinha e voltando.
Tomei um susto!
Sério, fiquei um tempo boba, não sabia o que fazer. Seria impressão? Seria um bicho debaixo da folhinha? Não! Confirmei, era dois em um mesmo, logo depois quando o bicho começou a andar! E é tão engraçadinho!
Claro que naquela hora ainda não tava achando graça nenhuma – ainda estava assustada e surpresa com a novidade!
Fui fazer o que tinha que fazer rapidinho e deixei o bichinho ali, de canto, pegado com um cotonete. Eu parecia uma menina boba que ganhou um presente e vai comer rapidinho pra poder ter mais tempo e se dedicar integralmente ao recém-adquirido pertence.
Como ele é curioso! Fiquei brincando, mexendo com ele (agora já com dois cotonetes!) por um bom tempo, tentando entender “como é que funcionava”.
E foi aqui que eu decidi furar um potinho e guardar ele lá preu poder brincar mais amanhã, quando eu descobrir o que ele gosta de comer e qual é o seu habitat (tenho que ambientalizar o potinho. Vai ficar maneiro!)

- ressurgiu aqui a velha criança de Sum Paulo, que não se agüenta em ver um bichinho novo: quer logo enjaular o pequeninho para estudá-lo melhor.


Acho que vai chamar Spark!

sábado, 17 de junho de 2006

Hoje eu achei um pedaço de nada, é bem legal! Fica ali, próximo ao supermercado, posso te mostrar se quiser!

*eu odeio a forma como as motocicletas se antecipam aos faróis e dão tempo para que os carros se aproximem antes mesmo deu ter conseguido atravessar a faixa*

*eu adoro abrir o pacote no meio do caminho e devorar tudo antes mesmo de ter chegado em casa – embora eu adore complementar tudo com requeijão!*

*eu odeio como os namorados me olham quando as namoradas não lhes estão observando*

*eu adoro e temo o silêncio das ruas escuras e desertas à noite, quando qualquer um pode estar me vigiando*

*eu adoro quando tenho coragem de abrir os braços e andar olhando o céu, me equilibrando em uma linha imaginária*

Meu pedaço de nada.

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Lendo Blogs Alheios



Andei dando uma olhada nuns blogs aí... coisa que eu não fazia há muito tempo.

Aliás, depois do Orkut, ainda existem pessoas que se lembram de que há muitas outras coisas pra se fazer na Internet – e, pasmem, até mais interessantes? Bem, eu não...

Daí resolvi sair do marasmo (posso ter sido impelida para, mas fui) e dar uma olhadinha “por aí”. Não vi muita coisa não, perdi o costume. Mas me surpreendi com o que vi.

Tinha esquecido de como as pessoas são... incríveis!
O que são as pessoas?
Né? O que é esse ser que tem idéias, qualidades, atitudes, opiniões, certezas, incertezas, sentimentos, tão... diferentes, iguais aos meus!?
Quem são?

Sabe qual foi a surpresa?
A surpresa foi ter entrado no blog de uma menina apaixonada, com pensamentos que eu um dia já tive também. Tão lindo! Tão “pra sempre”... tão certa do que sente e incerta do que virá... tão sem estruturas.
E de repente me ver como fazendo parte daquilo tudo. Como sendo um empecilho, um obstáculo na espera do possível. Uma nuvem cinza passando bem em frente aos seus ideais projetados no futuro...
Sim. Eu não quero fazer parte disso.

Talvez tenha falado demais. Mas o que mais queria falar é: não se preocupe menina. Eu não vou ser esse ser. Eu já estive no seu lugar e também enxerguei monstros. Mas se for por mim, eu quero é que você consiga alcançar o que eu não alcancei (quando eu também via um “ele” e também esperava um “nós” – tempos idos...)
Eu torço pelos enamorados – e que eles possam, que eles se completem!

Eu tenho amor pelas pessoas: e seus sofrimentos, angústias, medos, pirações, devaneios, e... esperanças.

Pessoas, eu amo vocês!

e eis que volto a escrever...
e eis que voltam a me responder...
esquisito?


Lembram de Ricardo Reis? Heterônimo de Pessoa?
O pagão, o dionísico, o desprendido Ricardo Reis?
Gosto dele. Tenho lido suas poesias (correção: seu odes) e tenho achado muito justo.
Muito coerente, muito... assim, simples.
Pra que a complexidade? Por que o estresse? Vivamos somente.


Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranqüilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira do rio,
Pagã triste e com flores no regaço.


Este fim tem um "quê" de Pequeno Príncipe, não tem? Quando "ao olhar os campos de trigo lembrarei de teus cabelos"...

Enfim, esta é a idéia: desencana e viva!