Licensa, poética
Arrumou-se como quem espera receber uma surpresa.
Não havia motivo nenhum de estar bela daquele jeito, apenas tinha esse pressentimentozinho de que hoje, especialmente, deveria se arrumar para além do causal.
Também nada extravagante: embelezou-se de modo simples. E saiu.
Andando na rua, sentia no ar, nas passadas, no tom do tempo, que algo estaria por vir. Algo novo, bonito e calmo, como uma criança.
E passou assim o dia, tão solta, a imaginar as possibilidades que se lhe estavam ocorrendo (agora... e agora...) de algo inesquecível e novo lhe acontecer. Dava atenção especial às coisas. Uma atenção serena, sincera, ouvinte, uma atenção de quem espera achar no de novo algo que lhe escape e lhe revele outro.
Sentia com calma, com paciência – com minuciosidade o dia. Olhava no mundo as coisas que se espalhavam entre o tempo e que lhe poderiam revelar o novo para o qual se preparara por.
...
Nada de novo aconteceu. Não houve, inusitado, um repentino ou desapercebido troço. A surpresa nenhuma constatara-se para si no fim do dia. Mas... não passara o dia a toa.
De fato, não passara o dia a toa.
O dia todo a procurar coisinhas... o dia todo a embelezar-se para o nada, para si. O dia todo... a desaperceber-se e a perceber-se. A si.
Trazendo e levando
Buscando e impelindo
No fim do dia, o dia.
Surpresa
Não havia motivo nenhum de estar bela daquele jeito, apenas tinha esse pressentimentozinho de que hoje, especialmente, deveria se arrumar para além do causal.
Também nada extravagante: embelezou-se de modo simples. E saiu.
Andando na rua, sentia no ar, nas passadas, no tom do tempo, que algo estaria por vir. Algo novo, bonito e calmo, como uma criança.
E passou assim o dia, tão solta, a imaginar as possibilidades que se lhe estavam ocorrendo (agora... e agora...) de algo inesquecível e novo lhe acontecer. Dava atenção especial às coisas. Uma atenção serena, sincera, ouvinte, uma atenção de quem espera achar no de novo algo que lhe escape e lhe revele outro.
Sentia com calma, com paciência – com minuciosidade o dia. Olhava no mundo as coisas que se espalhavam entre o tempo e que lhe poderiam revelar o novo para o qual se preparara por.
...
Nada de novo aconteceu. Não houve, inusitado, um repentino ou desapercebido troço. A surpresa nenhuma constatara-se para si no fim do dia. Mas... não passara o dia a toa.
De fato, não passara o dia a toa.
O dia todo a procurar coisinhas... o dia todo a embelezar-se para o nada, para si. O dia todo... a desaperceber-se e a perceber-se. A si.
Trazendo e levando
Buscando e impelindo
No fim do dia, o dia.
Surpresa

3 Comments:
Surpresa! Adorei isso.
Seus textos tem tons felizes, alegres, não sei, tenho essa impressão. Melhor assim...
seu orkut o que aconteceu? Segui seus conselhos, lá estou nos infames...
sobre o texto as vezes a gente meio que fica com esse sentimento, mas uma duvida: no fim do dia, o dia. O dia virou? Será? Pra mim sim!
legal ein, bjão!
AMEI.
o texto é lindo, lindo como o dia pode ser.
beijos.
sabrina.
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