TITA
Meu amor,
Não paro um só segundo de pensar em você. Fico imaginando mil maneiras de me burlar para permitir-me rasgar esta idiota distância e correr até seus braços quentes.
Me sufoco à noite - como esta - em que fico imaginando todo o momento que estou perdendo não estando do seu lado, não te devorando de beijos, não te jogando no chão e rolando no tapete como dois loucos insaciáveis, me agarrando a teus cabelos e mordendo teu pescoço.
Que falta me faz não ter você abraçando forte minha cintura, com o nariz nos meus cabelos. Ambos nus deitados na sala vigiando a janela a contar estrelas.
Quero que você agora acenda meu cigarro, me olhando firme nos olhos, trazendo a chama lentamente a se espelhar na minha pupila, onde você continua certo, até o cigarro se acender e eu desafiadoramente soltar a primeira tragada.
Não permita mais que eu tenha que me contentar em ligar bêbada de um bar, a cobrar, do celular de um desconhecido, só pra dizer que te amo.
Seu sádico! Por que não vem me ver?
Seu doentio! Por que não larga tudo e vem viver comigo?
Seu frustrado! Por que não me encara e me pega e me cala? E me arrasta contigo pros lugares mais sujos que eu vou?
Eu te amo, cacete! Vem ficar comigo! Vem ser enlaçado pelas minhas pernas e deixar pra lá o que existe da porta pra fora. Venha logo ser meu...
Saudades, Tita.
- faz parte da carta um cheiro forte de perfume de mulher doce e uma marca rosa de batom ao pé da folha.
